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História da Lenovo

1984 – O nascimento: «New Technology Developer Inc.»

fundador lenovo
Liu Chuanzhi

A Lenovo foi fundada a 1 de novembro de 1984 em Pequim, na China. O grupo fundador era composto por onze engenheiros do Instituto de Tecnologia Informática da Academia Chinesa de Ciências, liderados por Liu Chuanzhi. Os 25 000 dólares de capital inicial foram emprestados pela própria Academia. Os seus primeiros escritórios eram uma pequena cabana de guarda no campus da referida instituição.

A primeira tentativa de negócio foi um fracasso total: tentaram importar televisores e perderam o dinheiro.

A verdadeira salvação surgiu quando se aperceberam de um enorme problema prático: os computadores compatíveis com a IBM não conseguiam processar caracteres chineses. A China tem milhares de caracteres e os sistemas ocidentais simplesmente não os suportavam. A Lenovo desenvolveu uma placa de circuito que resolvia exatamente esse problema, e isso deu-lhes acesso a todo o mercado chinês de uma só vez.

Com esse dinheiro e credibilidade, em 1990 lançaram os seus primeiros computadores pessoais com a sua própria marca. Já não dependiam da distribuição de produtos de terceiros, agora fabricavam os seus próprios. Foi uma mudança filosófica e estratégica enorme para uma empresa com apenas seis anos.

1988 – Expansão e primeiro anúncio de emprego

Em maio de 1988, a Lenovo publicou o seu primeiro anúncio de recrutamento na primeira página do China Youth News. Entre os candidatos selecionados nessa convocatória estava Yang Yuanqing, o atual CEO da empresa.

A estratégia da Lenovo nesta década foi muito deliberada: dominar o mercado interno antes de se expandir para o exterior. Enquanto a Dell e a HP disputavam entre si na Europa e nos Estados Unidos, a Lenovo construía uma posição quase monopolística no país mais populoso do mundo.

Conseguiram-no com uma fórmula simples, mas eficaz: preços mais baixos do que os produtos importados, distribuição agressiva até às cidades pequenas e serviço pós-venda local. Os computadores ocidentais chegavam à China com manuais em inglês e sem assistência. Os da Lenovo chegavam em chinês, com um número de atendimento local.

Antes da aquisição da IBM em 2005, a Lenovo ocupava o 9.º lugar na indústria global de computadores, com uma quota de 2,3%. Mas na China, já eram os reis indiscutíveis, com cerca de 30% do mercado.

2005 – A aposta mais arriscada da empresa

Este foi o momento que mudou tudo e merece uma explicação detalhada, pois foi muito mais complicado do que parece.

Em dezembro de 2004, a Lenovo anunciou a sua intenção de adquirir o Personal Systems Group da IBM por 1,3 mil milhões de dólares, num acordo de troca de ações. A operação foi finalmente avaliada em 1,75 mil milhões de dólares e foi concluída em maio de 2005.

Por que razão a IBM queria vender? O negócio de PCs da IBM enfrentava desafios significativos após a viragem do milénio. A maior concorrência e um mercado cada vez mais saturado fizeram com que o crescimento abrandasse e as margens diminuíssem. A IBM queria concentrar-se em serviços, consultoria e software de margem elevada, e os PCs eram um fardo.

Para a Lenovo, por outro lado, era a oportunidade de uma vida. A operação transformou a Lenovo no terceiro maior fabricante de PCs do mundo, fazendo disparar as suas receitas para mais de 12 mil milhões de dólares e permitindo-lhe avançar em mercados de todo o mundo.

Mas o verdadeiro desafio não era financeiro. Era cultural. A divisão de PCs da IBM era composta por funcionários com longa experiência que se mostravam relutantes em passar para uma empresa chinesa relativamente desconhecida. A visão predominante era de que a IBM estava a transferir um negócio em declínio para uma empresa chinesa ambiciosa, mas sem experiência internacional.

Para superar esse cepticismo, a Lenovo tomou decisões inteligentes: manteve os executivos da IBM nos seus cargos, adotou o inglês como língua corporativa oficial e transferiu a sua sede operacional para Morrisville, na Carolina do Norte, onde se situava a sede da divisão de PC da IBM. Enviaram o sinal de que não iriam destruir o que tinham comprado.

O acordo incluía a aquisição da marca ThinkPad e uma licença de cinco anos para utilizar o nome IBM nos seus computadores. Essa licença foi fundamental: os clientes empresariais que compravam ThinkPad não estavam a comprar uma marca chinesa desconhecida, continuavam a comprar algo com o nome IBM durante cinco anos, tempo suficiente para que a Lenovo ganhasse credibilidade própria.

ThinkPad: a joia da coroa

A ThinkPad é uma linha de computadores portáteis voltada para o mundo empresarial, conhecida pelo seu design preto e quadrado, inspirado numa lancheira tradicional japonesa.

A sua característica mais famosa é o TrackPoint: aquele pequeno ponto vermelho no meio do teclado que funciona como um rato. É controverso, mas os seus fãs adoram-no.

Os modelos mais famosos da linha ThinkPad ao longo dos anos:

A ThinkPad P é a linha de estações de trabalho móveis da Lenovo, concebida para profissionais que necessitam de potência ao nível de um computador de secretária num formato portátil. Incorpora GPUs NVIDIA RTX com certificação ISV (AutoCAD, SolidWorks, etc.), processadores Xeon ou Core i9/i7 e ecrãs com alta fidelidade de cor. É a opção preferida de engenheiros, arquitetos e criadores de conteúdo que precisam de fiabilidade e desempenho sem compromissos.

ThinkPad-X1-Carbon-Aura-Edition
Lenovo X1 Carbon

ThinkPad X1: Tem sido uma referência constante nos guias dos melhores portáteis empresariais, com um desempenho e conectividade inigualáveis. É o modelo que melhor definiu o que significa um ultraportátil profissional premium: estrutura em fibra de carbono, bateria com autonomia para o dia inteiro e uma solidez de construção que poucos igualam.

Os ThinkPads passam nos testes de durabilidade MIL-STD (normas militares de resistência), o que significa que resistem a quedas, vibrações, temperaturas extremas e poeira. Quando um técnico de campo numa obra precisa de um portátil que não se parta, escolhe um ThinkPad.

2008 – IdeaPad: entrada no mercado de consumo

Lenovo Ideapad 5

A linha IdeaPad de computadores portáteis destinados ao consumidor foi lançada em janeiro de 2008. E foi aqui que a Lenovo demonstrou ter aprendido algo fundamental sobre o mercado: precisava de duas marcas com personalidades distintas.

O IdeaPad era o oposto do ThinkPad: cores, designs mais modernos, preços mais acessíveis e voltado para estudantes e famílias. O IdeaPad é a linha de consumo de gama média e económica da Lenovo, oferecendo uma grande variedade de portáteis acessíveis e bem construídos para as necessidades da maioria dos utilizadores.

Esta segmentação foi fundamental. A Lenovo não tentou que o ThinkPad fizesse tudo — manteve a pureza de cada linha e deixou que cada uma tivesse a sua própria identidade.

2012 – Yoga: inventar uma nova categoria

O Yoga representou um importante salto conceptual. Em 2012, quando os tablets iPad ameaçavam dominar o mercado dos portáteis, a Lenovo não respondeu com um tablet — respondeu com um portátil que também era um tablet.

Lenovo Yoga 9i

A dobradiça de 360 graus do Yoga permitia quatro modos de utilização: portátil, tenda (tent), suporte (stand) e tablet. Era uma proposta diferente de tudo o que existia. Com a sua funcionalidade 2 em 1, pode utilizar o dispositivo no modo portátil para trabalhar, no modo tenda para ver a sua série favorita ou no modo tablet para relaxar.

A série Yoga é famosa pelos seus ecrãs OLED PureSight com contraste infinito, pretos profundos e cores vibrantes, com resoluções que chegam aos 2,8K ou 4K. E a bateria do Yoga 9i Aura Edition chegou a ultrapassar as 26 horas em testes de autonomia, algo excecional.

O Yoga convenceu muitos utilizadores criativos de que não precisavam de um iPad para desenhar ou tomar notas — podiam fazê-lo no seu portátil Windows principal.

2014 – A Motorola e a aposta no setor móvel

Com a aquisição da Motorola Mobility ao Google por 2,91 mil milhões de dólares, a Lenovo tentou repetir a estratégia da IBM: comprar uma marca com história para entrar num novo mercado.

A partir de 2014, a Lenovo tornou-se o maior fornecedor de smartphones na China continental. E a Motorola deu-lhes a alavanca para atacar o mercado global, especialmente na América Latina e na Europa, onde a marca americana ainda gozava de reconhecimento.

Os Moto G tornaram-se um dos telemóveis mais vendidos do mundo no segmento de gama média. A proposta era simples: especificações decentes, preço baixo, sem bloatware. Nos mercados emergentes, foi um sucesso retumbante. O Moto G4 e o G5, em particular, foram fenómenos de vendas em países como o Brasil, a Índia e a Espanha.

O Motorola Razr é o produto emocional da Motorola. A sua marca de identidade é o formato em concha (clamshell): dobra-se ao meio, ocupa metade do espaço no bolso e, quando o abre, tem o tamanho de um smartphone normal.

Um Motorola Edge é um smartphone convencional de ecrã plano, focado em oferecer a melhor relação qualidade-preço na gama média-alta. A sua proposta é direta: ecrãs pOLED de 144–165 Hz, câmaras de 50 MP bem trabalhadas, baterias de grande capacidade com carregamento rápido, Android quase puro sem bloatware e certificação IP68.

2016 – Legion: nasce a linha de gaming

Lenovo Legion Go

A Legion surgiu numa altura em que os jogos já tinham deixado de ser um nicho. Os jogadores precisavam de hardware de qualidade, mas não queriam pagar os preços de uma estação de trabalho.

O que distinguiu o Legion da concorrência foi principalmente a refrigeração: o sistema Coldfront da Lenovo, que utiliza câmaras de vapor e fluxo de ar otimizado, mantém as temperaturas sob controlo mesmo durante longas sessões de jogo. Os modelos topo de gama utilizam compostos térmicos de metal líquido, que conduzem o calor de forma mais eficiente do que a pasta térmica padrão.

Atualidade da Lenovo

A aposta mais importante que a Lenovo está a fazer neste momento não é um portátil nem um servidor. É a Qira.

O Lenovo Qira é um novo superagente de IA pessoal denominado Sistema de Inteligência Ambiental Pessoal, concebido para proporcionar maior continuidade e contexto entre os dispositivos do utilizador. Tem como objetivo tornar as interações quotidianas mais naturais, ajudando os utilizadores a retomar as suas tarefas onde as deixaram, a manter o seu trabalho organizado e a alternar de forma fluida entre PC, tablet e smartphone.

A ideia central é que a IA não resida apenas dentro de uma aplicação, mas que «envolva» todo o seu ecossistema de dispositivos. Se estiver a planear uma viagem no PC e depois pegar no telemóvel, o Qira lembra-se do contexto e continua onde parou. Através de integrações com parceiros como o Expedia Group, o Lenovo Qira é capaz de identificar informações relevantes e facilitar uma transição fluida entre serviços quando o utilizador estiver pronto para agir.

O Qira começará a ser implementado em vários produtos da Lenovo e da Motorola ao longo de 2026, com o objetivo de facilitar a transição entre computadores, tablets e smartphones através da intercomunicação entre dispositivos.

Yoga Book Pro

Yoga Book Pro 3D Concept: Um portátil conceptual com dois ecrãs PureSight Pro Tandem OLED que permite trabalhar em três dimensões sem necessidade de óculos, equipado com um processador Intel Core Ultra 7 e uma placa gráfica NVIDIA RTX 5070. Foi concebido especialmente para designers e criadores de conteúdos 3D que, atualmente, necessitam de monitores especiais para trabalhar.

Yoga 9i 2-em-1 Aura Edition

Yoga 9i 2-em-1 Aura Edition: Destinado a profissionais criativos, oferece um ecrã OLED PureSight Pro de 2,8K que cobre espaços de cor como DCI-P3, Adobe RGB e sRGB, e inclui a Yoga Pen Gen 2 com AES 2.0 para maior precisão. Uma função chamada Canvas Mode permite fixar a capa da caneta num íman na parte traseira para inclinar o ecrã e melhorar a ergonomia ao desenhar.

A Lenovo e o Mundial de 2026

A Lenovo reafirmou o seu papel como parceiro tecnológico global da Copa do Mundo da FIFA 2026 e da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027, além da Fórmula 1 e do MotoGP com a Ducati Lenovo Team. No México, já estão a decorrer promoções nas quais, ao comprar qualquer produto Lenovo, é possível ganhar bilhetes para o jogo de abertura da Copa do Mundo, que será disputado no Estádio Cidade do México.

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